Por: Miguel Marques
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A expulsão de Lorena Wiebes da
Volta a Itália Feminina deixou a ex-profissional dinamarquesa, medalhada
olímpica de pista e analista da Eurosport, Julie Leth, convicta de uma coisa:
foi um erro caro, não uma tentativa calculada de obter vantagem.
Wiebes cortou a meta em
primeiro na 1ª etapa, em Ravenna, e parecia ter garantido a vitória de abertura
e a primeira maglia rosa da corrida. Horas depois, o seu Giro terminou. As
verificações pós-etapa detetaram a bicicleta abaixo do limite mínimo de 6,8 kg
da UCI, com relatos a apontarem para uma margem de apenas 20 gramas.
Elisa Balsamo herdou o triunfo
e a liderança. A Team SD Worx - Protime perdeu a velocista mais forte da
corrida antes mesmo do arranque da 2ª etapa.
Ao analisar o incidente na
cobertura da Eurosport Dinamarca, Leth rejeitou a ideia de que Wiebes ou a SD
Worx - Protime tivessem qualquer motivo óbvio para procurar um ganho tão
marginal numa etapa plana ao sprint. “Tenho absoluta certeza de que é um erro
da equipa”, disse Leth. “Sei que seguem as balanças da UCI. Não faria sentido
tentar enganar por 20 gramas, por isso é uma grande asneira, que custa mesmo,
mesmo caro em muitos aspetos”.
Uma
margem minúscula, um castigo enorme
A regra da UCI é clara. As
bicicletas devem cumprir o limite mínimo de 6,8 kg, e a de Wiebes foi
considerada abaixo desse patamar. Leth não defendeu que o regulamento fosse
ignorado. A sua reação focou-se na dimensão da infração, no tipo de etapa e na
severidade da consequência. “Consigo perceber o quão frustrante deve ser”,
afirmou. “Mas, por outro lado, regras são regras, e não existem para ser
quebradas. Não haveria qualquer ganho em ter uma bicicleta 20 gramas mais leve
numa etapa completamente plana como uma panqueca”.
Wiebes já tinha imposto um
sprint dominante em Ravenna antes do resultado ser anulado. Bateu Balsamo e
Lara Gillespie num final onde pareceu, em todos os aspetos, a ciclista mais
rápida em prova.
“Ela ganhou praticamente com
uma perna às costas, portanto também não precisava disso”, acrescentou Leth.
“Tenho absoluta certeza de que, de alguma forma, ocorreu um erro, e é um erro
muito, muito caro”.
Para Wiebes, a decisão
significou zero vitórias de etapa, zero camisola rosa e zero hipótese de
reentrar na corrida. Para a SD Worx - Protime, transformou um dia inaugural
quase perfeito numa falha de equipamento logo no arranque de um Grand Tour.
Balsamo
assume o comando após a controvérsia com Wiebes
O Giro prosseguiu com uma
hierarquia de sprinters alterada quase de imediato. Balsamo iniciou a 2ª etapa
de rosa após herdar a abertura e depois venceu o sprint massivo em Caorle,
reforçando a liderança. Gillespie regressou ao pódio, Charlotte Kool entrou na
discussão, e a ausência de Wiebes deixou as etapas planas sem o seu principal
referente.
A SD Worx - Protime contestou
a forma como foi feita a verificação do peso, e Leth disse compreender a
frustração da equipa. Admitiu também que qualquer contestação ao procedimento
teria de assentar em algo mais concreto.
“Claro que é a UCI que tem a
última palavra, e o equipamento também é deles, mas se achassem que tinham um
caso, talvez pudessem contrariá-lo”, afirmou Leth. “Não creio que estejamos a
ver nada disso aqui neste caso. Para mim, é um pouco vago”.
Wiebes continua fora do Giro,
Balsamo soma duas vitórias de etapa, e a primeira grande controvérsia da
corrida já está a moldar as chegadas ao sprint que se seguem.

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