Por: Miguel Marques
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Nelson Oliveira concluiu este
domingo mais uma Volta a Itália e entrou para um grupo muito restrito da
história do ciclismo. O corredor da Movistar Team chegou a Roma e igualou o
registo do polaco Sylwester Szmyd, tornando-se apenas o segundo ciclista a completar
23 Grandes Voltas sem qualquer abandono.
Apesar da marca histórica, o
português admite que a edição de 2026 do Giro ficou aquém das expectativas que
levava para a partida.
"A verdade é que, no
início do Giro, sentia-me bastante bem e esperava que a coisa até corresse bem.
Mas, depois, infelizmente, tive problemas respiratórios e, depois, mais tarde,
alguns problemas estomacais, o que me arrastou um bocadinho para não estar a
100%", revelou.
Os contratempos físicos
impediram-no de mostrar o nível que esperava, mas não alteraram a sua postura
dentro da equipa. Mesmo longe da melhor condição, continuou a desempenhar o
papel habitual ao serviço da Movistar, com particular notoriedade na 4ª etapa,
onde eliminou os sprinters numa subida e permitiu a Orluis Aular disputar a
vitória, perdendo, na altura, para o super Jhonatan Narváez.
"Mesmo sem a melhor
saúde", procurou "ajudar a equipa o melhor possível", resumiu.
A chegada à capital italiana
permitiu-lhe alcançar a 23ª Grande Volta concluída da carreira, um número que o
leva inevitavelmente a olhar para trás e recordar o percurso feito ao longo de
mais de uma década ao mais alto nível.
"Começo a ter um
bocadinho dessa noção. No final, são 23 grandes Voltas e faz-nos voltar tempos
atrás e recordar como foi a minha primeira grande Volta e ver as diferenças que
há. Realmente, o ciclismo mudou muito, mas sinto-me agradecido por ter chegado
até aqui", assumiu.
A aventura começou na Vuelta
de 2011 e, desde então, Nelson Oliveira acumulou participações nas três grandes
corridas por etapas do calendário. Soma dez presenças na Volta a Espanha, nove
na Volta a França e quatro na Volta a Itália.
O balanço desta edição
italiana é feito sem grandes euforias, mas também sem arrependimentos.
"Foi um Giro agridoce.
Nem bem, nem mal. Estou agradecido, porque cheguei a Roma, não nas melhores
condições físicas, mas foi o que se pôde fazer. Por vezes, as coisas não são
como nós queremos, são como nós podemos. Mas estou contente por, pelo menos,
chegar a Roma são e salvo, sem grandes contratempos. Sei que dei o meu melhor,
não me arrependo de nada", afirmou.
Terminada a corrida, o
corredor de Vilarinho do Bairro quer agora concentrar-se na recuperação antes
de pensar nos próximos compromissos.
"Vou ter um período de
recuperação e veremos, depois, como o corpo estará. Agora, não quero ouvir
falar de mais corridas para já, porque, quer queiramos quer não, este Giro foi
bastante duro, não tanto fisicamente, mas mentalmente, e temos de recuperar
bem", explicou.
Neste momento, o português
figura como suplente para o Tour, numa equipa que deverá ser liderada por Cian
Uijtdebroeks e Iván Romeo, mas a sua presença na prova francesa continua em
aberto.
"Não sei se o farei ou
não. [...] Saberemos muito em breve", referiu.
Além do seu próprio percurso,
Nelson Oliveira acompanhou com satisfação a excelente prestação de Afonso
Eulálio, que terminou o Giro na sexta posição da geral e conquistou a
classificação da juventude.
O veterano português, que
partilhou treinos com o corredor da Bahrain - Victorious antes da sua chegada
ao WorldTour, considera que o resultado é fruto de uma evolução sustentada.
"Foi bastante bom e fico
contente pelo Eulálio. Acho que é um corredor que soube crescer e soube entrar
no WorldTour e o resultado tem-se vindo a ver. A própria equipa confiou nele e
bem. Ele soube aproveitar essa oportunidade e está de parabéns", destacou.
Para Oliveira, a camisola
branca conquistada pelo jovem figueirense é um prémio inteiramente merecido,
depois de três semanas em que foi uma das figuras da corrida, quiçá a maior
revelação.
No final da Volta a Itália,
Nelson Oliveira terminou na 66ª posição da classificação geral, a 3h38m31s de
Jonas Vingegaard, vencedor da prova, encerrando mais um capítulo de uma
carreira que continua a acumular feitos raros no ciclismo internacional.

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