Por: Miguel Marques
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Na semana passada, Patrick
Lefevere falou sobre como gostaria de ter assinado com Paul Seixas antes de
este se tornar um grande nome internacional. Esta semana revela que a Soudal -
Quick-Step esteve interessada em contratar Juan Ayuso no final de 2024, mas as
condições de transferência já não eram as mesmas do ano passado. Além disso,
criticou o papel dos agentes no ciclismo atual e como a UAE Team Emirates - XRG
poderá avançar para a contratação de Paul Seixas.
A notícia de que o francês
interessa à equipa dos Emirados foi avançada pelo Het Laatste Nieuws no início
do mês e antecipa-se uma longa batalha negocial, já que o contrato do corredor
vigora até ao final de 2027. As equipas de topo procuram assegurar o jovem mais
cobiçado do atual pelotão.
O antigo gestor da Soudal -
Quick-Step guarda um ressentimento particular em relação à equipa dos Emirados
e não o esconde. “É-me indiferente, desde que ele não acabe na UAE Team
Emirates”.
“Perdoem a palavra, ou não,
mas, enquanto diretor-desportivo, o Matxin está um bocado excitado de mais.
Assinar Seixas quando já tens Pogacar é um exibicionismo”, escreveu Lefevere na
sua coluna semanal no Het Nieuwsblad.
Lefevere
quis Juan Ayuso
Isso não altera a posição da
Emirates no dossiê. O talento que o jovem de 19 anos tem mostrado é quase um
caso único na modalidade e qualquer equipa o quereria. A Decathlon CMA CGM tem
a base e, potencialmente, os meios para o manter. Já a UAE é, muito provavelmente,
a equipa com mais recursos e capacidade para fechar uma contratação deste
calibre.
Isto apesar de já ter Tadej
Pogacar e de ser, atualmente, a formação mais forte e vencedora do pelotão.
Trata-se de garantir o “próximo Pogacar”, como alguns lhe chamam.
“Podes ter mais dinheiro do
que qualquer outra equipa do World Tour, mas isso traz responsabilidade e
ética. Ele foi encostado no Saunier-Duval quando o trouxe para a Quick-Step
como olheiro. O problema é que só me é grato em palavras, até eu pedir um favor”,
continua Lefevere sobre Matxin, revelando outro alvo que interessava ao belga e
que acabou por não se concretizar.
“Perguntei-lhe pelas condições
de transferência do Ayuso quando ele estava num beco sem saída na UAE. Era
inegociável; a cláusula de rescisão era de 28 milhões de euros. Menos de um ano
depois, o Ayuso está na Lidl-Trek. É bem possível que tivessem os bolsos mais
fundos do que eu, mas estou certo de que também não pagaram 28 milhões”,
argumenta. “Um pouco mais de boa vontade para comigo teria ficado bem ao
Matxin”.
Críticas
aos agentes
Lefevere reconhece, porém, que
a inflação de valores também se deve aos agentes dos corredores, que trabalham
para maximizar as suas próprias comissões. “Jogam o jogo de forma muito mais
agressiva do que antes. Agora são agências, com cinco ou seis representantes
que querem todos marcar pontos e estão constantemente a ‘vender’ os seus
corredores. Talvez os jornalistas procurem mais o exclusivo, mas tudo se vai
filtrando para inflacionar o preço”.
“Disparar para todo o lado
como o Clint Eastwood, por uns dólares a mais. Que agente ainda se preocupa com
o planeamento de carreira do seu corredor? É terrível quando um miúdo de 19
anos acredita que pode ser o sucessor do Pogacar na UAE. O próprio Pogacar tem
apenas 27 anos. Um agente que tenta vender essa história ao seu corredor
merecia uma suspensão profissional”, concluiu Lefevere.

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