segunda-feira, 22 de junho de 2026

“Tadej Pogacar dispara rumo ao Tour, o fenómeno que já corre numa dimensão própria”


Por: José Morais

Tadej Pogacar voltou a transformar uma corrida de elite num espetáculo de domínio absoluto. O campeão mundial encerrou o Tour da Suíça com mais uma demonstração de força que reforça a sensação que percorre o pelotão: o esloveno chega ao Tour de França no auge, física e mentalmente, apoiado por uma equipa Emirates que respira confiança.

 

Um domínio que já roça o irreal

 

O Tour da Suíça parecia encaminhar-se para outro vencedor, mas Pogacar decidiu reescrever o guião.

Cinco dias de competição, três vitórias, um contrarrelógio esmagador e mais de seis minutos de vantagem sobre Richard Carapaz.

Na etapa rainha, em Villars-sur-Ollon, voltou a mostrar porque é considerado um extraterrestre do ciclismo moderno: atacou a oito quilómetros do fim, devorou os fugitivos e destruiu as esperanças de Lenny Martínez com uma aceleração que parecia de outra categoria.

A imagem final já é habitual: Pogacar de braços no ar, o resto do pelotão a assistir.

 

Uma temporada que desafia limites

 

O triunfo na Suíça encaixa-se numa época que já é uma das mais impressionantes da carreira do esloveno.

Vitórias em Strade Bianche, Liège-Bastogne-Liège, Tour de Romandie e Milão–Sanremo.

O único tropeço? Paris-Roubaix, onde Wout van Aert lhe roubou o protagonismo.

Os números são quase absurdos:

13 vitórias em 16 dias de competição este ano e 121 triunfos como profissional.

 

Liderança que não se treina

 

Na Emirates, o impacto de Pogacar vai além das pernas.

O diretor desportivo Joxean Fernández Matxín sublinha aquilo que considera o verdadeiro diferencial:

“Tadej não é só um campeão. É um líder. Preocupa-se com a equipa, com cada colega. Isso não se compra.”

O plano de preparação foi seguido à risca: reconhecimento de etapas do Tour, descanso controlado e três semanas de altitude em Serra Nevada antes da Suíça. Nada saiu do guião.

 

O peso? Nunca foi problema

 

Circularam rumores sobre alguns quilos extra, mas internamente o tema nunca gerou alarme.

Matxín é claro:

“Um ou dois quilos não fazem diferença num corredor como ele. O importante é chegar ao Tour no peso ideal e isso está totalmente controlado.”

 

Mais forte do que em 2025

 

Pogacar revelou ao L’Équipe um detalhe que diz muito sobre o seu momento:

No mesmo teste de subida que fez no ano passado, onde pensou ter atingido o limite, decidiu repetir o esforço “por diversão”.

O resultado?

“Estava claramente mais rápido do que em 2025. Diria que estou mais forte pelo menos no treino.”

 

O Tour no horizonte

 

A 4 de julho, começa a missão: a quinta vitória no Tour de França.

Pela frente terá Jonas Vingegaard, campeão do Giro, e uma Visma que promete atacar desde o primeiro dia.

Mas nos Emirados ninguém esconde a confiança:

“Tadej é o melhor ciclista do mundo. A preparação foi perfeita e a equipa está fortíssima”, resume Matxín.

Pogacar chega a Barcelona com o tanque cheio, a camisola arco-íris a brilhar e a sensação de que está prestes a escrever mais um capítulo histórico.

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