Por: José Morais
Tadej Pogacar voltou a
transformar uma corrida de elite num espetáculo de domínio absoluto. O campeão
mundial encerrou o Tour da Suíça com mais uma demonstração de força que reforça
a sensação que percorre o pelotão: o esloveno chega ao Tour de França no auge,
física e mentalmente, apoiado por uma equipa Emirates que respira confiança.
Um
domínio que já roça o irreal
O Tour da Suíça parecia
encaminhar-se para outro vencedor, mas Pogacar decidiu reescrever o guião.
Cinco dias de competição, três
vitórias, um contrarrelógio esmagador e mais de seis minutos de vantagem sobre
Richard Carapaz.
Na etapa rainha, em
Villars-sur-Ollon, voltou a mostrar porque é considerado um extraterrestre do
ciclismo moderno: atacou a oito quilómetros do fim, devorou os fugitivos e
destruiu as esperanças de Lenny Martínez com uma aceleração que parecia de
outra categoria.
A imagem final já é habitual:
Pogacar de braços no ar, o resto do pelotão a assistir.
Uma
temporada que desafia limites
O triunfo na Suíça encaixa-se
numa época que já é uma das mais impressionantes da carreira do esloveno.
Vitórias em Strade Bianche,
Liège-Bastogne-Liège, Tour de Romandie e Milão–Sanremo.
O único tropeço?
Paris-Roubaix, onde Wout van Aert lhe roubou o protagonismo.
Os números são quase absurdos:
13 vitórias em 16 dias de
competição este ano e 121 triunfos como profissional.
Liderança
que não se treina
Na Emirates, o impacto de
Pogacar vai além das pernas.
O diretor desportivo Joxean
Fernández Matxín sublinha aquilo que considera o verdadeiro diferencial:
“Tadej não é só um campeão. É
um líder. Preocupa-se com a equipa, com cada colega. Isso não se compra.”
O plano de preparação foi
seguido à risca: reconhecimento de etapas do Tour, descanso controlado e três
semanas de altitude em Serra Nevada antes da Suíça. Nada saiu do guião.
O peso?
Nunca foi problema
Circularam rumores sobre
alguns quilos extra, mas internamente o tema nunca gerou alarme.
Matxín é claro:
“Um ou dois quilos não fazem
diferença num corredor como ele. O importante é chegar ao Tour no peso ideal e
isso está totalmente controlado.”
Mais
forte do que em 2025
Pogacar revelou ao L’Équipe um
detalhe que diz muito sobre o seu momento:
No mesmo teste de subida que
fez no ano passado, onde pensou ter atingido o limite, decidiu repetir o
esforço “por diversão”.
O resultado?
“Estava claramente mais rápido
do que em 2025. Diria que estou mais forte pelo menos no treino.”
O Tour no
horizonte
A 4 de julho, começa a missão:
a quinta vitória no Tour de França.
Pela frente terá Jonas
Vingegaard, campeão do Giro, e uma Visma que promete atacar desde o primeiro
dia.
Mas nos Emirados ninguém
esconde a confiança:
“Tadej é o melhor ciclista do
mundo. A preparação foi perfeita e a equipa está fortíssima”, resume Matxín.
Pogacar chega a Barcelona com
o tanque cheio, a camisola arco-íris a brilhar e a sensação de que está prestes
a escrever mais um capítulo histórico.

Sem comentários:
Enviar um comentário