Por: Miguel Marques
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Lorena Wiebes venceu a In
Flanders Fields - From Middelkerke to Wevelgem, num triunfo assente na potência
em subida, astúcia tática e velocidade final. O CiclismoAtual esteve na
conferência de imprensa pós-corrida para ouvir o que a campeã neerlandesa disse
sobre a vitória.
Wiebes impressionou ao
conquistar a clássica belga com um movimento, lançado por si, na última
passagem pelo Kemmelberg. Embora a ciclista da Team SD Worx - ProTime suba bem,
os esforços a subir são, habitualmente, o principal obstáculo no caminho para os
triunfos nas grandes corridas.
Desta vez, em grande forma,
integrou o corte decisivo e teve reservas para manter o grupo de cinco até à
meta, fechar ataques tardios e sprintar para a vitória diante de Fleur Moors e
Karlijn Swinkels.
Wiebes: “Lancei o sprint
bastante cedo, foi um pequeno erro. Podia ter esperado um pouco mais em vez de
arrancar a 300 metros da meta. Mas com esta linha de chegada, vê-la durante
tanto tempo que queres ir, e quando estás na frente, não queres que venham de
trás, e não sabes quem está em que posição, por isso…”
Pergunta:
Mas depois da Amstel Gold Race disseste ‘Este é um erro que só cometo uma vez’.
W: “Sim, talvez um deles”.
P:
Ouviste algo no auricular, do carro talvez, do diretor desportivo, a dizer que
levantaste os braços demasiado cedo?
W: “Sim, disseram: ‘Da próxima
vez não nos assustes’”.
P: Foi
isso que disseram?
W: “Sim”.
P:
Trezentos metros são demasiado longo para um sprint?
W: “Normalmente é demasiado,
mas como disse, com esta chegada é também bastante dura, sobretudo tendo estado
quase sempre a liderar ou na frente a puxar e a manter a velocidade alta.
Assim, continua a ser um sprint muito exigente. Às vezes, sprints massivos
podem ser mais fáceis do que um sprint como este”.
P:
Comparando com subidas anteriores ao Kemmelberg, pareceu mais forte do que
nunca?
W: “Senti-me bem desde o
início da corrida. E numa das ‘plug streets’ [caminhos de terra] consegui
seguir a Franziska Koch com facilidade quando ela fez a ponte para um dos
grupos da frente. Aí pensei: ‘ok, as pernas estão boas’. E na primeira passagem
pelo Kemmel pensei: ‘as pernas continuam boas’”.
“Depois, no Baneberg,
começaram cedo com os ataques. E eu: ‘consigo seguir com relativa facilidade’.
Ficámos em fuga com um grupo de cerca de quinze, o que também tornou mais fácil
abordar a segunda passagem pelo Kemmel. E pensei: ‘porque não impor eu o ritmo
e ver o que acontece?’ E não percebi de imediato que tínhamos um grupo de… sim,
que éramos cinco”.
P: Foi
bastante impressionante no Kemmelberg. Dá-lhe confiança extra para a Volta à
Flandres? O Paterberg no final?
W: “Será diferente. São
subidas de outro tipo. São, claro, mais longas, especialmente o Oude Kwaremont.
Mas espero ter pernas semelhantes na próxima semana e ficar na frente o máximo
possível. Hoje senti-me bem e isso deixa-me satisfeita”.
P: Mas o
Kemmelberg é uma referência, certo? Ou não concordas?
W: “Não concordo totalmente,
porque na próxima semana há mais colinas. Outras corredoras, sim, Longo
Borghini, Vollering, Niewiadoma, todas muito fortes neste tipo de corridas.
Portanto, temos de ver. Mas também teremos a Lotte [Kopecky] lá. Espero ainda
ser uma das cartas no final. É o que ambiciono, mesmo que seja num segundo
grupo atrás. Mas, como disse, temos de ver como estão as pernas na próxima
semana. Pode acontecer que, na próxima semana, as pernas estejam uma porcaria,
portanto…”
P: Todos
os anos tens progredido na Volta à Flandres. Achas que hoje consolidaste isso
para essa corrida?
W: “Espero que sim. É… como
digo, é difícil prever a próxima semana porque é uma corrida diferente… Mas
hoje fiquei muito feliz e, claro, dá confiança fazer uma corrida assim e ainda
te sentires forte quando estás a puxar na fuga”.
P: Depois
do esforço no Kemmel, é isso que queres dizer?
W: “Sim, para manter a
vantagem. Olhamos para o medidor de potência quando rodamos na fuga e senti que
ainda tinha força para puxar. Foi duro quando a Gasparrini atacou no final,
porque não consegui fechar de imediato, demorou algum tempo. Mas sabia que tinha
de impor o meu ritmo, foi um esforço considerável. Mas sim”.
P: Houve
algum momento em que pensaste ‘vou perder esta corrida no final’?
W: “Pensei mais: ‘de qualquer
forma, tenho de fechar’. É melhor fechar e depois perder a corrida do que
deixar uma corredora ir embora e o pelotão regressar, percebes? Porque também
havia essa incerteza em relação ao pelotão. É sempre um pouco difícil para mim
avaliar, porque recebemos informação do carro, mas ainda não estive assim
tantas vezes nesta situação para sentir exatamente a que distância vinha o
pelotão”.
P: Então
ainda tinhas em mente talvez sprintar se o pelotão voltasse a juntar, ou não?
Wiebes: "Sim. Foi tipo,
“isso não vai, não vai resultar”. Quer dizer, a 10 km do fim, se nos
apanhassem, seria diferente de a 3 km, porque aí ficamos praticamente paradas
quando nos passam. Por isso também precisei de manter alguma velocidade no grupo
nos últimos quilómetros".
P:
Conheces bem a Fleur Moors? Alguns de nós ficaram surpreendidos por ela querer
sprintar contra ti?
W: "Sim, acho que a Fleur
mostrou uma evolução muito boa este ano. Ainda é muito jovem e está a andar
muito forte, também nestas colinas. Claro que sabia que ela conseguia seguir
quando eu atacasse e, sim, acho positivo ver jovens como a Fleur a ficarem mais
fortes e também, sim, foi… acho que foi uma boa oportunidade para ela".
P: O que
aconteceu na sexta-feira passada (correção: quinta-feira) em Bruges? Porque não
venceste e toda a gente pensava que devias também ganhar essa corrida?
W: "Isso faz parte dos
sprints… às vezes ficas encaixada, e eu não quero deitar outras corredoras ao
chão para abrir espaço, percebes? Cada porta se fechava à minha frente quando
tentei subir. Cada brecha que via, tentava avançar e a porta voltava a fechar.
Isso também faz parte de sprintar. Foi um sprint estranho, sem velocidades
muito altas. E, quer dizer, também cometemos erros no lançamento. Falámos disso
depois. Analisámos e, na verdade, o plano era fazer hoje um lead-out melhor,
mas as coisas correram um pouco diferente".
P: Então
essa era a lição que querias ter… Essa foi a lição para hoje?
W: "Bem, hoje foi
motivação extra para voltar a ganhar. Não, mas acho que sprints como o de
Bruges voltam a deixar-nos alerta e, antes da época, sabíamos que provavelmente
iria acontecer perder um sprint. Mas é mais frustrante quando nem consegues sprintar,
aí estás batida. Se alguém te vencer quando consegues fazer o sprint completo,
é diferente".

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