sexta-feira, 23 de outubro de 2020

“Polémica no Giro/«Comi para fazer 260 km mas a dois minutos da partida só vejo uns 25 ciclistas»”


Organização acabou por doar prémios da 19.ª etapa após protesto de grande parte do pelotão devido ao mau tempo, que levou ao encurtar da tirada desta sexta-feira

 

Por: Lusa

Foto: Lusa/EPA

A organização da Volta a Itália em bicicleta decidiu esta sexta-feira doar os prémios monetários devidos aos ciclistas pela 19.ª etapa, após um protesto dos corredores ter encurtado a tirada.

O dia, ganho pelo checo Josef Cerny (CCC), começou com uma polémica alteração da que seria a mais longa etapa do Giro, com 258 quilómetros previstos, mas que acabou reduzida a 124 quilómetros.

"Os prémios da etapa de hoje serão doados pelos organizadores a um centro médico empenhado na luta contra a covid-19", pode ler-se numa publicação na rede social Twitter feita pela conta oficial da 'corsa rosa'.

O mau tempo, que já era previsto para esta etapa, e a extensão foram as principais queixas dos ciclistas, que apresentaram várias razões, desde a perda de capacidade do sistema imunitário no meio da pandemia de covid-19 ao cansaço acumulado, riscos para a saúde e outras queixas.

A organização cedeu, mas sem prometer uma análise posterior ao incidente, que poderá levar a ações judiciais, e os autocarros das equipas foram 'apanhando', em alguns casos literalmente, os ciclistas que seguiram para a estrada, para aquecer ou para a partida, transportando toda a comitiva para Abbiategrasso.

O diretor da prova, Mauro Vegni, foi mais longe na chegada a Asti e garantiu que "os culpados deverão pagar", prometendo aos instigadores do protesto, que foi revelado a momentos da partida, uma batalha judicial.

"Sinto, sobretudo, desilusão, é a palavra, porque tentámos montar o Giro, foi muito difícil, e queríamos dar um sinal de que este é um desporto corajoso. A etapa de hoje esmaga qualquer esforço", atirou.

Segundo Vegni, a organização soube do que se passava "a cinco minutos da partida", com a imprensa especializada a reportar uma votação, realizada na Internet, feita por representantes de todas as equipas, com todas menos duas a pedirem um encurtamento da tirada.


Apesar dessa garantia, muitos ciclistas alinharam à partida, com alguns, como o italiano Vincenzo Nibali (Trek-Segafredo), a garantirem que não souberam de qualquer votação.

"Sabia que havia discussões na quinta-feira, mas não me parecia que surgisse qualquer decisão sobre pedir para encurtar a etapa. Já corremos em piores condições. Hoje foi no limite", defendeu o italiano, o único em prova que já venceu as três grandes Voltas.

Por outro lado, a Bora-hansgrohe do eslovaco Peter Sagan, que lutava pela classificação dos pontos, disse hoje que o protesto "não foi correto".

"É verdade que a etapa anterior foi muito dura, com mais de 5.800 metros de acumulado de subida, com a dificuldade particular do Stelvio. Também é verdade que saímos do hotel às seis da manhã e com condições meteorológicas difíceis. Mas era possível correr, e acho injusto informar os organizadores desta forma. Foi pouco profissional", atirou Ralph Denk, diretor geral da equipa alemã.

A votação, feita através da plataforma 'online' Telegram, foi levada a cabo pelos representantes de cada equipa da Associação de Ciclistas Profissionais (CPA), abrindo uma polémica que parece 'esticar-se' no tempo com os processos judiciais anunciados pela organização.

À televisão italiana Rai, o representante da CPA no Giro, Cristian Salvato, explicou que foi contactado por ciclistas, que lhe pediram a redução na quilometragem, ao que o próprio indicou que as condições já estavam delineadas muito antes do arranque da 103.ª edição.

A chegada tardia aos hotéis e saída madrugadora já hoje, com três dias de alta montanha nas pernas, levou à insistência dos corredores, ainda que muitos dos 133 ainda em prova se tivessem equipado e preparado como se fosse um dia normal.

"Comi para fazer 260 quilómetros, vesti-me para isso, mas a dois minutos da partida só vejo uns 25 ciclistas", entre eles os líderes das classificações, como o português Ruben Guerreiro (Education First), revelou o belga Thomas de Gendt (Lotto Soudal).

Os ciclistas juntaram-se, depois, numa das tendas da organização a discutir com Mauro Vegni e comissários da União Ciclista Internacional, num momento em que Adam Hansen (Lotto Soudal) se tornou proeminente.

"Falou por ser dos mais velhos, é a pessoa com quem conversam, não como ciclista da Lotto" mas como representante da CPA, adiantou de Gendt.

A 103.ª edição da Volta a Itália em bicicleta decorre até domingo, em Milão, com o holandês Wilco Kelderman (Sunweb) na liderança da geral, Ruben Guerreiro com a montanha matematicamente assegurada e João Almeida (Deceuninck-QuickStep), antigo líder por 15 dias, no quinto lugar da geral.

Fonte: Record on-line

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