Num Giro d’Itália marcado por surpresas, resistência e maturidade competitiva, Afonso Eulálio escreveu o seu nome entre os maiores do ciclismo português. O jovem da Bahrain Victorious, de apenas 24 anos, terminou a edição de 2026 no sexto lugar da geral, tornando‑se o terceiro melhor português de sempre na prova apenas atrás de João Almeida e José Azevedo.
Um Giro
para ajustar contas e fazer história
Um ano depois de ter
abandonado a sua estreia na corrida italiana, Eulálio regressou com ambição e
uma determinação silenciosa. Antes da partida, admitira que tinha “contas por
fechar” com a prova. Cumpriu a promessa com estrondo.
A reviravolta começou logo na
quinta etapa, quando saltou para a liderança da geral após terminar em segundo
lugar atrás do espanhol Igor Arrieta. A partir daí, o pelotão internacional
passou a olhar para o português com outra atenção e crescente surpresa.
Durante nove dias, Eulálio
carregou a camisola rosa com uma frieza tática que poucos esperavam de um
corredor tão jovem. Nem as primeiras etapas de alta montanha, nem o
contrarrelógio, nem a pressão mediática o derrubaram. Ao seu lado, o veterano
Damiano Caruso assumiu o papel de mentor, ajudando o português a defender-se
etapa após etapa.
A queda
da rosa, mas não da ambição
A liderança terminou na 14.ª
etapa, quando Jonas Vingegaard assumiu o comando. Ainda assim, Eulálio
manteve-se firme na luta pelo pódio durante mais dois dias, até ceder terreno
na subida a Carì.
Mesmo assim, nem os Dolomitas
o travaram. Na etapa rainha, segurou o sexto lugar, posição que confirmou na
última jornada de montanha. Além disso, levou para casa a camisola da
juventude, símbolo de um talento que promete marcar a próxima década.
O novo
membro da elite portuguesa
Com este resultado, Eulálio
junta-se a um grupo restrito: é apenas o 10.º português de sempre a terminar
uma grande Volta no top 10 e o terceiro melhor português no Giro, atrás de:
João Almeida, que já foi 3.º
(2023), 4.º (2020) e 6.º (2022), além de ter vestido rosa durante 15 dias.
José Azevedo, 5.º em 2001.
O ciclista figueirense supera
nomes históricos como Acácio da Silva e aproxima-se rapidamente da elite
nacional em grandes Voltas.
Quem
foram os portugueses que estiveram no top 10 de grandes voltas:
Joaquim Agostinho 11 presenças
no top 10
2.º
Vuelta 1974; 3.º Tour 1978 e 1979; 5.º Tour 1971 e 1980; 6.º Vuelta 1973; 6.º
Tour 1974; 7.º Vuelta 1976; 8.º Tour 1969, 1972 e 1973
João Almeida 7 presenças
2.º Vuelta 2025; 3.º Giro
2023; 4.º Tour 2024; 4.º Giro 2020;
4.º Vuelta 2022*; 6.º Giro 2022; 9.º Vuelta 2023
José
Azevedo 3 presenças
5.º
Giro 2001; 5.º Tour 2004; 6.º Tour 2002
Afonso
Eulálio 1 presença
6.º
Giro 2026
Acácio
da Silva — 7.º Giro 1986
Ribeiro da Silva — 4.º Vuelta
1957
João Rebelo — 6.º Vuelta 1945
Fernando Mendes — 6.º Vuelta
1975
José Martins — 8.º Vuelta 1975
Alves Barbosa — 10.º Tour 1956

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