domingo, 31 de maio de 2026

“Afonso Eulálio entra para a história: o novo gigante português que abalou a Volta a Itália”


Num Giro d’Itália marcado por surpresas, resistência e maturidade competitiva, Afonso Eulálio escreveu o seu nome entre os maiores do ciclismo português. O jovem da Bahrain Victorious, de apenas 24 anos, terminou a edição de 2026 no sexto lugar da geral, tornandose o terceiro melhor português de sempre na prova apenas atrás de João Almeida e José Azevedo.

 

Um Giro para ajustar contas e fazer história

 

Um ano depois de ter abandonado a sua estreia na corrida italiana, Eulálio regressou com ambição e uma determinação silenciosa. Antes da partida, admitira que tinha “contas por fechar” com a prova. Cumpriu a promessa com estrondo.

A reviravolta começou logo na quinta etapa, quando saltou para a liderança da geral após terminar em segundo lugar atrás do espanhol Igor Arrieta. A partir daí, o pelotão internacional passou a olhar para o português com outra atenção e crescente surpresa.

Durante nove dias, Eulálio carregou a camisola rosa com uma frieza tática que poucos esperavam de um corredor tão jovem. Nem as primeiras etapas de alta montanha, nem o contrarrelógio, nem a pressão mediática o derrubaram. Ao seu lado, o veterano Damiano Caruso assumiu o papel de mentor, ajudando o português a defender-se etapa após etapa.

 

A queda da rosa, mas não da ambição

 

A liderança terminou na 14.ª etapa, quando Jonas Vingegaard assumiu o comando. Ainda assim, Eulálio manteve-se firme na luta pelo pódio durante mais dois dias, até ceder terreno na subida a Carì.

 

Mesmo assim, nem os Dolomitas o travaram. Na etapa rainha, segurou o sexto lugar, posição que confirmou na última jornada de montanha. Além disso, levou para casa a camisola da juventude, símbolo de um talento que promete marcar a próxima década.

 

O novo membro da elite portuguesa

 

Com este resultado, Eulálio junta-se a um grupo restrito: é apenas o 10.º português de sempre a terminar uma grande Volta no top 10 e o terceiro melhor português no Giro, atrás de:

João Almeida, que já foi 3.º (2023), 4.º (2020) e 6.º (2022), além de ter vestido rosa durante 15 dias.

José Azevedo, 5.º em 2001.

O ciclista figueirense supera nomes históricos como Acácio da Silva e aproxima-se rapidamente da elite nacional em grandes Voltas.

 

Quem foram os portugueses que estiveram no top 10 de grandes voltas:

 

Joaquim Agostinho 11 presenças no top 10

2.º Vuelta 1974; 3.º Tour 1978 e 1979; 5.º Tour 1971 e 1980; 6.º Vuelta 1973; 6.º Tour 1974; 7.º Vuelta 1976; 8.º Tour 1969, 1972 e 1973

João Almeida 7 presenças

2.º Vuelta 2025; 3.º Giro 2023; 4.º Tour 2024; 4.º Giro 2020; 4.º Vuelta 2022*; 6.º Giro 2022; 9.º Vuelta 2023

José Azevedo 3 presenças

5.º Giro 2001; 5.º Tour 2004; 6.º Tour 2002

Afonso Eulálio 1 presença

6.º Giro 2026

Acácio da Silva — 7.º Giro 1986

Ribeiro da Silva — 4.º Vuelta 1957

João Rebelo — 6.º Vuelta 1945

Fernando Mendes — 6.º Vuelta 1975

José Martins — 8.º Vuelta 1975

Alves Barbosa — 10.º Tour 1956

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