Por: Letícia Martins
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Uma vasta operação de corte de
madeira na estrada para o Ballon d'Alsace desencadeou indignação entre grupos
ambientalistas antes da Volta a França de 2026. Com o pelotão agendado para
enfrentar a subida na Etapa 14, entre Mulhouse e Le Markstein, a 18/7/2026, os
críticos apontaram o dedo ao evento. Porém, o diretor da Volta a França,
Christian Prudhomme, negou firmemente que a corrida seja responsável pelo abate
de mais de 800 árvores, invocando medidas de segurança planeadas há muito pelas
autoridades locais.
Nos últimos dias, quatro
associações de proteção ambiental da região da Alsácia criticaram com veemência
o projeto em curso de limpeza da berma. Embora o objetivo declarado da operação
seja garantir a segurança da estrada, os grupos alertam para o impacto
ecológico.
As principais preocupações
centram-se no calendário da intervenção, em plena época de reprodução da fauna,
e na localização, uma zona ecológica sensível classificada como Natura 2000.
“Embora a segurança rodoviária
possa ser um objetivo legítimo, o timing dos trabalhos e os métodos utilizados
levantam questões profundas”, escreveram as associações em comunicado conjunto,
exigindo total transparência sobre o enquadramento administrativo e regulatório
do projeto. Também ameaçaram avançar com ações judiciais caso os trabalhos não
cumpram a legislação ambiental.
Prudhomme
defende a Volta
Em declarações ao jornal
regional L'Alsace, o responsável máximo da Volta a França, Christian Prudhomme,
abordou a controvérsia de frente, validando a reação emocional do público e
enquadrando a situação na realidade administrativa.
“O corte de oitocentas árvores
choca toda a gente, incluindo a mim”, admitiu Prudhomme. “Mas é uma decisão
tomada em 2023 e, nessa altura, ninguém sabia que viríamos em 2026. É,
sobretudo, uma medida de segurança. Penso, acima de tudo, nas pessoas que corriam
o risco de ver uma árvore cair-lhes em cima se não as abatêssemos.”
Prudhomme reconheceu que a
chegada da Volta frequentemente acelera projetos locais de infraestrutura, mas
negou categoricamente que a organização imponha ultimatos ou exija destruição
ambiental.
“Claro que a Volta a França
passa por ali e é um acelerador de obras”, explicou. “Mas nunca vamos pedir o
que quer que seja, obviamente… Nunca pedimos para construir estradas. Se a
estrada existe, nós vamos. A Volta alimenta-se das belezas de França, não
queremos danificar França.”
Árvores
degradadas e prazos acelerados
As autoridades locais
corroboraram a defesa de Prudhomme, sublinhando que o projeto não nasceu do
anúncio do percurso da Volta. Stéphanie Rauscent, diretora do organismo
florestal departamental do Haut-Rhin, confirmou que o problema é conhecido há
uma década, apontando o elevado número de troncos “degradados” que ameaçam a
via.
Ainda assim, o governo local
reconheceu o impacto da corrida no calendário atual. A prefeitura do Haut-Rhin
indicou que serão cortados, no total, 1.071 troncos ao longo de um troço de 4,5
quilómetros. Confirmou que, sendo um projeto de segurança “planeado há muito”,
a execução foi efetivamente “acelerada face à previsível maior afluência de
público nesta zona” quando a caravana da Volta a França passar por ali em
julho.

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