Por: Ivan Silva
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Nos últimos anos, assistimos
ao surgimento de ciclistas cada vez mais jovens no pelotão profissional.
Poderíamos listar inúmeros nomes, de várias nacionalidades, todos a sonhar
tornar-se o próximo Tadej Pogačar, Jonas Vingegaard ou Remco Evenepoel, a correr
a Volta a França, Paris-Roubaix e outras provas icónicas.
Com esse cenário de fundo,
Daniel Benson sentou-se com John Wakefield, diretor desportivo da Red Bull –
BORA – Hansgrohe, responsável pelo desenvolvimento do programa Red Bull Rookies
da equipa alemã.
Desenvolvimento
a longo prazo
Do viveiro de talento da
estrutura, Adrien Boichis, Callum Thornley e Luke Tuckwell deram o salto da
equipa sub-23 para a formação principal para 2026 e competem agora ao nível
WorldTour. A via de progressão poderia ter sido ainda mais ampla se Lorenzo Finn,
campeão do mundo U23, que abriu a época com triunfo no Troféu Ses Salines
(1.1), tivesse seguido o mesmo caminho.
“Ele já poderia, sem
dificuldade, estar a correr no WorldTour, mas não queremos apressar as coisas e
temos boas razões para o percurso que está a seguir.”
Wakefield traça com clareza a
visão da estrutura e a filosofia que orienta a equipa Rookies. “O que fizemos
foi tentar selecionar um ou dois corredores com potencial para a geral, depois
mais três prospetos, e construir uma equipa em torno disso. Também queremos
ganhar corridas e formar ciclistas capazes de vencer noutros palcos ou
tornar-se gregários muito valiosos e importantes.”
Crescimento sustentável, sem
dar um passo maior do que a perna, permitindo que os jovens evoluam por etapas,
é um dos pilares do projeto. “Não se trata apenas de focar nos candidatos à
geral. Claro que isso é importante, é a Volta a França, mas também queremos
ganhar Paris-Roubaix ou um Monumento, esse tipo de corridas. É uma estrutura de
desenvolvimento holística.”
O seu papel na Red Bull passa
por trabalhar com ciclistas muitas vezes ainda juniores, e é impossível traçar
um perfil definitivo do que poderão ser no futuro. “Mas pode dizer-se: ‘Este
corredor tem potencial fisiológico.’”
Mesmo com um potencial
fisiológico evidente, é prematuro garantir que um ciclista lutará um dia por
uma Grande Volta, um Monumento ou outra prova de topo, porque muito pode
acontecer. “Afirmar com confiança que se pode ganhar a Volta a França com um
corredor dentro de cinco a dez anos é vender uma história. E é ingénuo, porque
e se ele arranja namorada aos 20 e a carreira acaba? Isso acontece mesmo.”
Quando um
miúdo de 17 anos já vive e treina como profissional, é um sinal de alarme
Não foge a uma análise mais
profunda. “Muitos destes rapazes estão tão focados que não têm vida fora do
ciclismo. Para mim, isso é uma vida desequilibrada, porque se a carreira não
resultar, o que farão depois? Não fizeram outra coisa senão andar de bicicleta
desde os catorze anos, e foram os pais ou alguém a empurrá-los.”
Por isso sublinha as
circunstâncias de quem começa a pedalar muito cedo sem o apoio certo. “Alguns
desistem, e é preciso procurar sempre o equilíbrio. Estamos a lidar com jovens,
e é isso que são, ainda são miúdos, e queremos que continuem a sê-lo.”
O diretor desportivo deixa um
último aviso. “Se aos dezasseis ou dezassete já vive como um profissional, ou é
pressionado para viver como tal, para mim isso é um sinal de alarme. É algo que
não incentivamos.”

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