quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

“Com outra equipa teria perdido a Volta ao Algarve” - Juan Ayuso manda bicada à UAE Emirates”


Por: Letícia Martins

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Juan Ayuso não podia ter começado melhor este novo capítulo. Na primeira corrida pela Lidl-Trek, após deixar a UAE Team Emirates - XRG, o espanhol conquistou a geral da Volta ao Algarve e assinou uma estreia irrepreensível com vitória de etapa de amarelo vestida.

A avaliação do próprio corredor é enfática em entrevista ao Marca: “A Volta ao Algarve deixou-me sensações muito boas. Para lá da vitória, vou lembrar-me de como a conseguimos, porque no último dia atacaram-nos até ao carro-médico.” Ayuso coloca o foco no esforço coletivo: “A equipa respondeu da melhor forma possível: primeiro a impedir que uma fuga grande se formasse e, depois, no final, a absorver ataques de todas as equipas. Estou muito feliz, sinto-me enormemente apoiado e o ambiente é fantástico.”

 

Um ambiente que faz a diferença

 

Nestes primeiros meses, a mudança de estrutura superou as expectativas, sobretudo no lado humano. “Acima de tudo, levo as pessoas. Além disso, a Lidl-Trek está a começar a investir de forma significativa para acrescentar mais recursos: um camião-cozinha, ferramentas de recuperação… Nem todas essas melhorias chegaram ainda, mas tudo aponta para um desfecho muito positivo.”

Ayuso insiste que não lhe falta nada: “Enquanto estrutura, não me falta nada; até tenho mais recursos à disposição do que tinha antes. Mas, se tiver de escolher uma coisa, escolho as pessoas, porque me fazem sentir muito confortável e são profissionais de topo.”

Cita o trabalho aerodinâmico como exemplo: “Por exemplo, no túnel de vento melhorámos novamente a minha posição no contrarrelógio, algo que, a meu ver, era difícil de afinar e preferia não mexer; no entanto, graças a eles dei mais um passo em frente.”

 

A força do coletivo

 

A vitória no Algarve reforça a convicção sobre o salto que deu. “Com outra equipa teria perdido a Volta ao Algarve”, afirma sem rodeios.

A pensar em Paris–Nice, no Critérium du Dauphiné e na Volta a França, sublinha a importância do contrarrelógio coletivo: “Agora vêm Paris-Nice, o Dauphiné e o Tour - todos com contrarrelógio coletivo - e levamos um bloco que, não sendo o favorito claro, será altamente competitivo. Vendo o percurso de Paris-Nice, o TTT pode decidir 70% da geral e, com a equipa que levamos, a nossa força coletiva vai colocar-nos lá em cima. Estou muito contente por fazer parte de um grupo que me vai tornar o resto das etapas muito mais fáceis.”

 

Um passo em frente em 2026

 

Individualmente, identifica uma melhoria clara contra o cronómetro. “No contrarrelógio dei mais um passo graças a uma pequena mudança de posição e ao novo equipamento - o novo capacete assenta-me mesmo bem.” No resto, mantém a mesma linha: “No restante, como sempre, tentar melhorar em tudo e polir os detalhes. Dito isto, há menos mistério aí do que as pessoas possam pensar.”

 

Novos rivais no horizonte

 

Entre os nomes a seguir está Paul Seixas. Ayuso não tem dúvidas sobre a sua trajetória: “O Seixas vai ser um corredor que em breve estará a discutir as Grandes Voltas; se não for este ano, será no próximo. Mais um rival com quem lutar.”

E aponta para o contexto atual do pelotão: “Já estamos habituados a enfrentar corredores que estão a marcar uma era: Tadej, Remco, Vingegaard…”

 

Modelos e ambição

 

As comparações com Alejandro Valverde e Alberto Contador também surgem na sua análise. “Ficaria feliz por assemelhar-me a qualquer um deles. Acho que o ciclismo está a mudar e o perfil de ciclista necessário para vencer uma Grande Volta é diferente de há dez anos.”

Se tiver de escolher, é claro: “Se tivesse de escolher, revejo-me mais no Valverde, porque tenho esse sprint que me permite ganhar. No entanto, o que o Alberto conseguiu na alta montanha também é essencial para ter sucesso no ciclismo de hoje. Assino por uma mistura dos dois”, brincou.

 

Um desejo claro

 

Para o resto do ano, o objetivo é específico: “O meu desejo é que tudo continue como até agora: continuar a melhorar, evitar contratempos e ver até onde pode ir o meu nível sem os percalços que tive nos últimos anos.”

O principal alvo será a estreia no Tour: “Vou tentar fazer um bom Tour, já que será o primeiro que disputo. Que a sorte esteja do nosso lado e que o meu nível dite o resultado.”

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