Por: Miguel Marques
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Jasper Stuyven lançou uma
crítica contundente à direção de corrida da Volta a Itália após a 2ª etapa ter
sido retomada depois de uma queda massiva, apesar de os ciclistas acreditarem
que a prova ficou sem cobertura total de ambulâncias.
A segunda etapa, na Bulgária,
já era um dos dias mais caóticos da corrida quando cerca de 30 ciclistas caíram
em estradas encharcadas, a 23 km da meta. A UAE Team Emirates - XRG foi
particularmente atingida, com Jay Vine e Marc Soler a serem transportados para
o hospital, enquanto Adam Yates terminou a mais de 13 minutos do vencedor,
Guillermo Thomas Silva, após uma queda violenta.
Santiago Buitrago também foi
forçado a abandonar e levado ao hospital para exames adicionais, somando mais
um nome de peso à lista de corredores afastados do Giro pelo mesmo incidente.
A corrida foi neutralizada
durante vários quilómetros enquanto as viaturas médicas assistiam os
acidentados. Mas Stuyven, falando depois ao HLN, afirmou que a situação devia
ter sido gerida de forma diferente antes de autorizar a retoma da competição.
“Não havia ambulâncias disponíveis”, disse Stuyven. “E ainda vinha aí uma
descida que podia ser perigosa”.
Corredores
queriam neutralização de tempos para a geral
Segundo o HLN, vários
ciclistas falaram com a direção de corrida durante a neutralização, incluindo
Stuyven, Victor Campenaerts, Jonas Vingegaard, Filippo Ganna e Jonathan Milan.
Stuyven disse que os
corredores não pediam o cancelamento total da etapa. Pretendiam, sim, a
neutralização dos tempos para a classificação geral, permitindo que quem
quisesse arriscar continuasse a lutar pela vitória na etapa, sem obrigar os
homens da geral a descer a toda a intensidade.
“Queríamos, depois daquela
queda, uma neutralização dos tempos para a classificação, para que os
destemidos ainda pudessem lutar pela etapa, mas sem ter de assumir riscos
desnecessários naquela próxima descida”, explicou Stuyven.
O pedido surgiu após uma queda
suficientemente grave para redesenhar a corrida. Vine foi retirado em maca para
uma ambulância, Soler também seguiu para o hospital, Yates perdeu muito tempo e
o Giro de Buitrago terminou antes de a prova sequer deixar a Bulgária.
Stuyven
critica o diretor de corrida
A crítica mais dura de Stuyven
incidiu sobre a forma como sentiu que a decisão foi comunicada. “O diretor de
corrida disse que estavam a analisar”, contou. “Depois, deitou a cabeça fora do
carro como um cão assustado, começou a abanar a bandeira e gritou ‘corrida’. E
rapidamente voltou a meter a cabeça dentro do carro”.
A etapa acabou por prosseguir,
com Jonas Vingegaard a atacar no Lyaskovets Monastery Pass antes de Guillermo
Thomas Silva vencer a partir do grupo perseguidor e vestir a Maglia Rosa.
Mas o desfecho desportivo
ficou quase em segundo plano face ao debate mais amplo sobre segurança. Após
duas etapas marcadas por quedas na Bulgária, o Giro entra na 3ª etapa com o
pelotão já muito castigado fisicamente e com crescente frustração sobre a forma
como a corrida tem sido gerida.

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