Por: Miguel Marques
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Esta semana, apenas a
Brabantse Pijl e o Gran Camiño ocuparam a atualidade competitiva, mas os dias
mais calmos permitiram destrinçar a semana do Paris-Roubaix e também da Volta
ao País Basco, que revelou a nova estrela do ciclismo, Paul Seixas, “a estrela
mais vendável” da modalidade segundo Johan Bruyneel e Spencer Martin.
“Ele já era o corredor mais
popular, mas isto levou-o a outro nível. Ele é o rei da Bélgica neste momento,
Wout Van Aert”, disse Bruyneel no podcast The Move. “Acho que é mais do que
merecido. Estávamos todos à espera disto. Mais uma vez, esteve muito forte.
Posso dizer que o Pogacar foi talvez mais forte, mas o Van Aert correu com
muita inteligência”.
A corrida viu Pogacar e
Mathieu van der Poel sofrerem avarias significativas cedo, longe da meta. Van
Aert também teve problemas, mas recuperou mais rápido e, no final, teve pernas
para atacar o grupo no setor de Orchies e depois aguentar o ritmo de Pogacar
durante a última hora de prova no ‘Inferno do Norte’.
“Pessoalmente, continuo a
acreditar que o Mathieu van der Poel foi o mais forte na corrida. Mas o
Paris-Roubaix é o que é. De repente, colocou-o numa situação em que, quando
tens dois minutos de atraso após a Floresta de Arenberg, isso devia ser fim de
linha… Foi fim de linha, mas ele ficou muito perto”.
Nos quilómetros finais, van
der Poel ainda conseguiu colar-se ao grupo perseguidor, mas ficou a escassos
segundos do duo Pogacar–Van Aert, que já liderava a corrida nessa fase. O
triunfo de Van Aert trouxe ar fresco a um cenário de monumentos/Campeonato do
Mundo dominado pelos mesmos três corredores nos últimos anos.
“Também sou fã do Pogacar, mas
sei que quando alguém é dominante e depois não vence, isso mexe com toda a
gente. Ok, finalmente alguém o bateu. Também é emocionante”. Spencer Martin
estava no lado oposto, a torcer por Pogacar. Um triunfo não só completaria o
seu lote de monumentos como abriria a porta a uma provável conquista dos cinco
no mesmo ano, algo nunca conseguido, embora tenha sido o primeiro da história a
subir ao pódio de todos no mesmo ano, em 2025.
“Quase numa perspetiva
perversa, pensei: ‘Quero ver se o Pogacar consegue ganhar todas as corridas em
que alinhar em 2026’. Quero ver até onde chega o ridículo. Mas tens razão, é
bom que não tenha ganho”.
Paul
Seixas: Decathlon ou UAE?
Na Volta ao País Basco, a
prova montanhosa de seis etapas poderia, nas circunstâncias certas, ter visto
Paul Seixas, o mais jovem em prova, vencer todos os dias. Apesar da
concorrência forte, o francês foi simplesmente inatingível nas jornadas-chave.
Após o contrarrelógio inicial,
no qual abriu de imediato um fosso relevante sobre os rivais, “toda a gente
percebeu ‘ok, este é o vencedor’. Na segunda etapa, todo o pelotão, todos os
rivais, sabiam: ‘Já sabemos quem vai ganhar o País Basco’”, afirma Bruyneel.
“Acontecesse o que acontecesse nas etapas, ele estava noutro patamar”.
Depois das Ardenas, as
negociações sobre o seu futuro serão retomadas, ainda que nunca tenham parado
totalmente. Não são só a Decathlon e a UAE que disputam o seu próximo contrato
(o atual termina no final de 2027). Também a Red Bull - BORA - Hansgrohe e a
INEOS Grenadiers já estarão envolvidas.
Onde quer que corra, com o
talento e potencial que exibe, o custo será elevadíssimo. Segundo a dupla, com
acesso ao agente de Seixas e às conversas de bastidores, o valor em cima da
mesa iguala o salário de Tadej Pogacar: 8 milhões de euros por ano.
“Acho que, pelo país de onde
vem e pela qualidade que tem, pode ser, pelo menos pelo seu potencial, a
estrela mais vendável do ciclismo”, defende Martin. “Mas são 8 milhões por ano.
Em cinco anos, é um investimento de 40 milhões de euros”. Justifica-se pagar já
este salário a um corredor que ainda não correu uma Grande Volta?
“É demais. Quer dizer, é o que
o Pogacar ganha. É ridículo, é demasiado. Se o Pogacar ganha 8 milhões de
salário, como justificas 8 milhões para o Paul Seixas?” contrapôs Martin: “Bem,
não seria para este ano. Seria para daqui a dois anos”.
Há, no entanto, nuances. As
equipas de topo têm dificuldade em contratar novas estrelas, quase todas presas
por contratos longos. Quem conseguir assinar Seixas deverá segurá-lo por muitos
anos e, se corresponder ao potencial, será um ativo inestimável para qualquer
estrutura.
Só neste inverno, as rescisões
contratuais de corredores como Remco Evenepoel (agora Red Bull - BORA -
Hansgrohe), Juan Ayuso (agora na Lidl-Trek) e Oscar Onley (que foi para a INEOS
Grenadiers) custaram vários milhões, sem contar com salários. Os números no
ciclismo nunca foram tão altos e, talvez, esse seja um valor que várias
equipas, incluindo a Decathlon, em crescimento e que poderá até contar com o
apoio do presidente francês Emanuel Macron, estarão dispostas a pagar.
Mas há riscos óbvios: “Já
vimos tantos jovens corredores… Alguns ganharam uma Volta a França quando eram
novos. ‘Ah, agora vai ganhar três ou quatro ou cinco’. Nunca mais o voltaram a
ganhar. Não digo que seja o caso do Seixas, mas é muito, muito cedo para falar
de um contrato desse calibre”.
Em breve haverá novidades e,
embora lhe reste um ano e meio de contrato, é praticamente certo que um acordo
surgirá antes. “Se fores a Decathlon, não te podes dar ao luxo de falhar isto”,
sustenta Martin, chamando-lhe a oportunidade de uma vida para uma equipa que,
até há pouco, estava longe das grandes.
“Imagina que poupas, dizes que
8 milhões é demais. Ele vai para a UAE e ganha cinco Tours. Ficas a parecer um
idiota, certo?” Só o futuro dirá o que Paul Seixas representará para o ciclismo
e com que equipa.

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