Por: José Morais
A clássica belga In Flanders
Fields, agora com partida em Middelkerke e identidade renovada, ofereceu este
domingo um enredo digno das grandes primaveras flamengas: ataque dos gigantes,
perseguição feroz do pelotão e um desfecho decidido na explosão final. No fim,
o mais rápido foi Jasper Philipsen, que selou uma vitória que perseguia há
anos.
A corrida, anteriormente
conhecida como Gent-Wevelgem, estreou-se sob novo nome e novo percurso, mas
manteve intacta a rivalidade que tem marcado a última década do ciclismo. A 35
quilómetros da meta, na mítica subida ao Kemmelberg, Mathieu van der Poel (Alpecin-Premier
Tech) e Wout Van Aert (Visma–Lease a Bike) voltaram a isolar-se, reacendendo a
chama de um duelo que raramente desilude. A eles juntou-se mais tarde Alec
Segaert (Bahrain Victorious), numa tentativa ousada de desafiar o pelotão.
Mas o grupo perseguidor nunca
perdeu o rasto. Red Bull–BORA–hansgrohe, INEOS e Decathlon assumiram o comando
da caçada e, já dentro do último quilómetro, a fuga ruiu por completo. O
sprint, inevitável, ficou entregue a um pelotão reduzido, mas determinado.
Foi então que Philipsen,
sempre calculista, encontrou o espaço que tantas vezes lhe faltara nesta prova.
Depois de 240,8 quilómetros entre Middelkerke e Wevelgem, o belga lançou-se com
autoridade e cruzou a meta em 5:48.03 horas, garantindo a 60.ª vitória da
carreira.
“Há muito tempo que queria
ganhar esta corrida”, confessou após o triunfo. “Nunca tinha tido boas
sensações aqui, nem conseguido posicionar-me bem na reta final. Hoje era tudo
ou nada. Com o Mathieu na frente, o cenário era perfeito para nós. Mantive a calma
e consegui vencer.”
Tobias Lund Andresen
(Decathlon) ainda ameaçou estragar a festa à Alpecin-Premier Tech, mas terminou
em segundo, com o mesmo tempo do vencedor. Christophe Laporte (Visma–Lease a
Bike) fechou o pódio.
Entre os portugueses, Rui
Oliveira (UAE Emirates), campeão olímpico de madison em Paris 2024 ao lado de
Iúri Leitão, concluiu a prova na 69.ª posição, a 5m31s do vencedor.
A nova In Flanders Fields
estreia-se, assim, com um guião que mistura tradição e renovação: ataques dos
monstros sagrados, perseguição dramática e um sprint decidido ao milímetro
exatamente o tipo de espetáculo que a Flandres gosta de oferecer.

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