Por: Miguel Marques
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A Volta à Flandres entrou cedo
em turbulência por um incidente invulgar e potencialmente polémico, quando um
pelotão dividido numa passagem de nível levantou, por instantes, a hipótese de
desclassificação de alguns dos maiores nomes da corrida.
À aproximação da passagem de
nível, as barreiras começaram a descer, forçando parte do pelotão a parar
enquanto outros seguiram. Entre os que conseguiram atravessar estavam Tadej
Pogacar e Remco Evenepoel, ao passo que um segundo grupo, com Mathieu van der
Poel, ficou retido atrás das cancelas fechadas.
A direção de corrida reagiu de
imediato para neutralizar a situação, instruindo a dianteira do pelotão a
reduzir o ritmo e permitir o regresso dos atrasados.
A fuga adiantada, porém, não
foi afetada e pôde prosseguir, ampliando a sua vantagem no processo.
Regra da
UCI deixa pouca margem para interpretação
Embora a prova tenha
prosseguido, o incidente levantou de imediato dúvidas sobre a aplicação dos
regulamentos da UCI. “Os corredores são obrigados a parar a um sinal vermelho”,
afirmou o organismo em declarações ao Het Nieuwsblad. “Quem passa o sinal deve
ser retirado da corrida”.
A regra é explícita na redação
e, em princípio, sem margem para ambiguidades. Qualquer corredor que atravesse
uma passagem de nível fechada após o sinal ficar vermelho arrisca
desclassificação, além de eventuais multas e dedução de pontos UCI.
A única nuance possível reside
no momento exato da mudança do sinal, em particular se o vermelho já estava
ativo quando os corredores passaram.
Prova
segue em frente, mas ficam questões
Na estrada, a corrida
rapidamente retomou o seu ritmo natural. Uma fuga de 13 homens manteve-se
adiante, enquanto a UAE Team Emirates - XRG continuou a controlar o pelotão em
apoio a Pogacar após a perturbação inicial. Os favoritos voltaram a juntar-se depois
do incidente, restabelecendo a igualdade antes das fases decisivas ainda por
disputar.
Ainda que o enquadramento
desportivo tenha sido reposto, o episódio deixa no ar a questão da consistência
na aplicação das regras. O regulamento é claro. A realidade, pelo menos neste
caso, parece mais flexível. E numa corrida tão disputada como a Volta à
Flandres, um desvio momentâneo entre ambos basta para acender o debate.

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