Por: Letícia Martins
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A vitória de Tadej Pogacar na
Milan-Sanremo, este sábado, desafiou toda a lógica. O Campeão do Mundo soma
feitos enormes, mas poucos esperariam que vencesse da forma como o fez, depois
de cair com violência a poucos quilómetros do sopé da Cipressa. Eddy Merckx,
com quem Pogacar é frequentemente comparado, ficou sem palavras perante a
exibição do esloveno.
“Deixou-me sem palavras.
Esperava que ele ganhasse assim? Sinceramente, não. Acho que isto pode ser
considerado uma das suas maiores performances”, disse o Canibal em entrevista à
Eurosport. “A reação que teve após a queda foi a de um verdadeiro campeão.”
Pogacar esteve envolvido numa
queda a alta velocidade na aproximação nervosa à principal subida do dia e,
apesar da sua qualidade, não era esperado que conseguisse regressar ao pelotão,
chegar à frente e ainda atacar a subida de 5,6 quilómetros praticamente no
mesmo ponto de há 12 meses.
O plano foi executado como
previsto, mesmo que o contexto fosse totalmente inesperado. Só Mathieu van der
Poel (que também caiu) e Tom Pidcock conseguiram segui-lo ali, apesar do claro
handicap no início da ascensão.
Mas, apesar da queda e do
esforço extra, tinha pernas para fazer a diferença. Depois de recuperar,
conseguiu deixar o neerlandês no Poggio. “O facto de Van der Poel ceder no
Poggio surpreendeu-me. O facto de Mathieu não ter conseguido sustentar o
esforço é, verdadeiramente, mérito de Pogacar.”
A vitória esteve longe de
garantida, com um Tom Pidcock em grande forma a não ceder na descida e a
apresentar armas semelhantes ao sprint. Mas a resistência do esloveno foi
evidente, ao conseguir repetir esforços máximos várias vezes sem quebrar e
depois sprintou para a victoria, algo que não seria expectável após a queda e
também face ao esforço adicional a que foi obrigado.
“Lançou o sprint na frente,
com a mesma força e convicção de Van der Poel no ano passado. Se sprintas assim
e ninguém te consegue ultrapassar, não restam dúvidas sobre quem é o mais
forte”, argumenta Merckx. Com isto, Pogacar soma agora 11 vitórias em monumentos,
face às 19 de Merckx. Mas conquistou aquela que, talvez, menos se adequava às
suas características, o quarto monumento no seu palmarès.
A lenda belga, hoje com 80
anos, admite surpresa por só em 2026, à sexta tentativa, Pogacar ter vencido o
monumento italiano. “O Pogacar já merecia uma Sanremo e, na verdade, é estranho
que ainda não a tivesse ganho. Agora ficou claro que não tem limites. O que
mais lhe falta fazer?”
Pogacar e
Roubaix
Para completar uma lista de
vitórias quase inalcançável, os cinco monumentos do ciclismo, falta
Paris-Roubaix, onde foi segundo na estreia, no ano passado. Mas Merckx sugere
que esta perseguição pode não se alongar muito.
“No ano passado caiu no
empedrado, caso contrário teria chegado ao velódromo com Van der Poel para
discutir a vitória e quem sabe como isso teria terminado”, defende. “Claro que
a sorte tem um papel maior no empedrado do que o habitual, por isso vai precisar
que ela esteja do seu lado.”

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