Por: Letícia Martins
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Paris-Roubaix decide-se por
margens. Em mais de 50 quilómetros de empedrados, a diferença entre ganhar e
perder raramente é só força, mas sim a capacidade de um corredor e do seu
material sobreviver ao caos.
É isso que torna tão
significativa a decisão tardia da UCI de proibir o sistema de pressão de pneus
da Visma. A poucos dias da edição de 2026, uma das raras ferramentas concebidas
especificamente para as exigências do Inferno do Norte foi retirada de cena.
Um
sistema feito para as exigências de Roubaix
Ao contrário de outros
Monumentos, Paris-Roubaix obriga a transições constantes entre asfalto liso e
algumas das superfícies mais brutais do ciclismo profissional. Gerir a pressão
dos pneus nessas mudanças é um desafio antigo.
O sistema da Visma oferecia
uma solução. Os corredores podiam ajustar a pressão em corrida, baixando-a para
mais aderência e conforto no pavé, e voltando a subi-la para ganhar velocidade
nas secções de estrada. Numa prova onde colocação, furos e condução podem
decidir tudo, essa flexibilidade tinha valor evidente. E, em 2026, poderia
contar mais do que nunca.
Com setores iniciais mais
estreitos e menos tempo de recuperação entre troços de empedrado, o percurso
deste ano deverá colocar ainda maior stress no equipamento desde as fases
iniciais da corrida.
Intervenção
tardia da UCI
Apesar de já ter sido usada em
competição, a tecnologia não estará em prova no domingo. “Recebemos uma carta
há duas semanas a indicar que o sistema está proibido até ao fim da época”,
afirmou Mathieu Heijboer, diretor de performance da Team Visma | Lease a Bike,
no podcast In De Waaier.
A fundamentação da UCI assenta
nas regras de disponibilidade comercial, questionando se o sistema cumpre o
requisito depois de a empresa responsável ter apresentado falência no início do
ano.
“Uma
história vaga” e sem aviso
Para a Visma, a explicação não
trouxe clareza. “Uma história vaga.”
Entretanto, o sistema voltou
ao mercado após a recuperação da empresa, e a sua utilização em corridas
recentes não levantara reservas. “Também não houve aviso prévio. Aliás, ainda o
usámos no GP Denain.”
É a falta de aviso que adensa
a frustração dentro da equipa.
“Isto não
é coincidência”
Paris-Roubaix é singularmente
sensível a decisões de material, e o momento da decisão não passou
despercebido. “Isso, naturalmente, não é coincidência.”
Com sanções que vão de
advertências à desclassificação, não há margem para risco. “É um risco que,
obviamente, não vamos correr.”
Para Wout van Aert, o impacto
é imediato. O belga continua em busca do primeiro título em Paris-Roubaix e,
numa prova em que pequenas vantagens podem definir o desfecho, retirar um
sistema desenhado especificamente para o empedrado não é irrelevante.
Questionado diretamente se
isso afeta as suas hipóteses, Heijboer foi claro. “Sim.”
Menos uma
variável numa corrida construída sobre o caos
Paris-Roubaix raramente segue
o guião. Problemas mecânicos, posicionamento e pura imprevisibilidade moldam o
resultado tanto quanto a potência bruta. Este ano, porém, uma variável foi
removida antes mesmo do tiro de partida.
Num Monumento definido pela
incerteza, só isso pode revelar-se decisivo.

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